Quinta-Feira, 25 de Fevereiro de 2021

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Allan Kardec ou o espírito racista



          Da longa trajetória de percepção sobre espíritos e suas influências na trajetória e no ser humano, o educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail foi o mais célebre e sólido codificador desta presença e desta força que nos paira. Através do pseudônimo de Allan Kardec, recebeu e codificou as mensagens que formaram a base do espiritismo, a mais sólida vertente do espiritualismo.

          O ponto mais importante sobre suas descobertas refere-se à forma e a caracterização espírita, como uma presença perceptível, mas não explicitamente visível pelos cinco sentidos ou a ciência, e sim a partir da noção da amplitude e complexa composição universal a qual estamos vivendo que escapa a nossos espíritos sua plena e total explicação.

          Dentro disto, caracteriza o espírito em várias formas, além de explicar sua cosmovisão que une descobertas cientificas e percepção religiosa, como os seres unem espírito e matéria. Em sua concepção humana, entretanto, cai no erro assumido como verdade no século XIX, referente à noção das sociedades europeias sendo a suprema organização humana, seu futuro e verdade, a maneira como o ser humano universal era e devia ser se quisesse ser civilizado.

           Nisto, observa diversos outros grupos étnicos e organizações sociais para organizá-los como algo que deveria ser melhorado, implementando formas e características europeias em suas sociedades e culturas, promovendo assim o melhoramento. Tal caracterização revela limitada visão sobre as organizações, culturas humanas e seus espíritos, que se formam e se caracterizam de várias formas, constituindo realidades e organizações distintas, ainda que intercambiáveis com as de seu tempo e espaço.

            Sendo um admirável por suas contribuições e descobertas, Allan Kardec ainda assim mantém este problema enquanto espírito, o qual é passível de ser corrigido e melhorado por outros espíritos que leiam e entendam sua obra, o que ele diz. No Brasil, país com a maior quantidade de espíritas no mundo, se houve bastante aproximação do espiritismo com religiões de matriz africana, muito especialmente a umbanda que também se sincretiza com o cristianismo. Esta influência religiosa que é essencial ao espiritismo brasileiro corrigiu muitos dos problemas do espiritismo francês, que carrega esta visão eurocêntrica e racista descrita. Os espíritos da umbanda e de outras religiões enriqueceram e ajudaram a formar o espiritismo em sua forma maior, em como é, fazendo com que os espíritos se manifestassem e se fizessem. E o de seu decodificador continua sendo profundo, mas com alguns pontos equivocados.         












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